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Patrimônios históricos da Região dos Lagos que merecem ser conhecidos

Patrimônios históricos da Região dos Lagos em Cabo Frio, Búzios, São Pedro da Aldeia e Saquarema

Ultima atualizaçao em 17 de agosto de 2026 por karime

Os patrimônios históricos da Região dos Lagos revelam uma parte do litoral fluminense que muitas vezes passa despercebida por quem conhece a região principalmente pelas praias. Entre fortes, igrejas, casarões, antigas salinas e construções centenárias, existe uma história que atravessa gerações e ajuda a explicar a formação de cidades como Cabo Frio, Búzios, São Pedro da Aldeia, Araruama, Saquarema, Iguaba Grande e Arraial do Cabo.

No dia 17 de agosto é celebrado o Dia do Patrimônio Cultural, uma data dedicada à valorização da memória, da diversidade cultural e dos bens materiais e imateriais brasileiros.

A escolha do dia é uma homenagem a Rodrigo Melo Franco de Andrade, advogado, jornalista e escritor que teve papel fundamental na criação e consolidação da política brasileira de preservação cultural e esteve à frente do órgão que deu origem ao atual Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

A data também é um convite para conhecer melhor alguns dos patrimônios históricos da Região dos Lagos que estão diante dos nossos olhos, mas muitas vezes acabam passando despercebidos durante uma viagem ou até mesmo na rotina de quem mora por aqui.

Patrimônios históricos da Região dos Lagos para colocar no roteiro

Nossa seleção reúne lugares que ajudam a contar diferentes momentos da história regional. Alguns são reconhecidos oficialmente como patrimônio, enquanto outros possuem forte importância histórica, religiosa, arquitetônica ou cultural para suas cidades.

Conhecer esses espaços é também uma maneira diferente de fazer turismo pela Região dos Lagos, indo além das praias e descobrindo como cada município desenvolveu sua própria identidade.

1. Forte São Mateus — Cabo Frio

É difícil encontrar um lugar que reúna tão bem história e paisagem quanto o Forte São Mateus, em Cabo Frio.

Localizado junto à Praia do Forte, o monumento faz parte dos primeiros capítulos da ocupação portuguesa dessa região do litoral.

Segundo o Iphan, o primeiro núcleo de ocupação portuguesa começou a se formar em Cabo Frio a partir de 1616. No ano seguinte, uma fortificação anterior foi substituída pelo Forte São Mateus, construído em posição estratégica próxima à entrada do Canal do Itajuru.

Séculos depois, a construção permanece como um dos principais símbolos da cidade.

Em 2025, um pedaço importante dessa história voltou ao local: um antigo canhão retirado do forte em 1953 retornou a Cabo Frio depois de 72 anos, em processo acompanhado pelo Iphan.

Hoje, visitar o Forte São Mateus permite unir duas experiências em um mesmo passeio: conhecer parte da história colonial da região e observar uma das paisagens mais conhecidas de Cabo Frio.

Combine o passeio com: Praia do Forte, Mirante do Arpoador, Canal do Itajuru e bairro da Passagem.

2. Bairro da Passagem e Igreja de São Benedito — Cabo Frio

Quem caminha pelas ruas da Passagem talvez não imagine que está percorrendo uma área diretamente ligada à formação urbana de Cabo Frio.

Depois da fundação da antiga Vila de Santa Helena de Cabo Frio, parte do núcleo urbano foi transferida para a região que atualmente conhecemos como bairro da Passagem, às margens do Canal do Itajuru.

No Largo de São Benedito encontra-se a Igreja de São Benedito, datada do século XVIII, cercada por construções que ajudam a preservar o aspecto histórico do bairro.

Hoje, a Passagem mistura patrimônio, gastronomia, pousadas e vida noturna.

E talvez seja justamente isso que torne o lugar tão interessante: ele não funciona como um cenário histórico isolado. Continua fazendo parte da vida cotidiana de Cabo Frio.

Uma caminhada pelo bairro ao final da tarde é uma boa oportunidade para observar detalhes arquitetônicos, conhecer a igreja e depois seguir em direção ao Canal do Itajuru.

3. Igreja Matriz de São Pedro — São Pedro da Aldeia

São Pedro da Aldeia possui uma história que começou muito antes da atual configuração urbana do município.

Um de seus principais símbolos é a Igreja Matriz de São Pedro, ligada à presença dos jesuítas na região.

O conjunto formado pela igreja e pela antiga residência anexa recebeu proteção federal ainda na primeira metade do século XX e também integra o patrimônio protegido em nível estadual.

A área central reúne outros pontos históricos que podem ser visitados no mesmo passeio.

A Prefeitura de São Pedro da Aldeia criou o Circuito da Aldeia – História e Lazer, conectando atrações como a Igreja Matriz, Igreja Sagrado Coração de Jesus, Casa dos Azulejos, canhão histórico, Obelisco e Casa da Flor.

O roteiro revela uma São Pedro da Aldeia muito diferente daquela vista rapidamente por quem apenas atravessa a cidade em direção a Cabo Frio ou Arraial do Cabo.

4. Casa dos Azulejos — São Pedro da Aldeia

No Centro de São Pedro da Aldeia está uma das construções mais características da cidade: a Casa dos Azulejos.

Construída em 1847, a casa recebeu revestimento de azulejos portugueses que ainda hoje chama atenção de quem passa pela região.

A história do imóvel inclui inclusive uma visita da Princesa Isabel e do Conde d’Eu, em 1868.

Atualmente, o prédio abriga a Secretaria Municipal de Turismo e continua fazendo parte da rotina da cidade.

Esse uso é interessante porque mostra que preservar patrimônio não significa necessariamente transformar um prédio em algo intocável. Construções históricas podem continuar tendo função pública e permanecer integradas à vida da comunidade.

5. Casa da Flor — São Pedro da Aldeia

Entre todos os patrimônios históricos da Região dos Lagos, poucos são tão singulares quanto a Casa da Flor.

A construção foi idealizada por Gabriel Joaquim dos Santos, que transformou materiais descartados em arte e arquitetura.

Objetos que poderiam ter sido simplesmente jogados fora ganharam novas funções nas paredes, fachadas e ornamentos da casa.

Cacos de louça, vidros, pedras, fragmentos e outros materiais foram utilizados para criar composições únicas.

A Casa da Flor tornou-se uma importante referência da arquitetura espontânea brasileira e possui reconhecimento dos órgãos de preservação cultural.

Além de sua beleza incomum, o lugar conta a história de criatividade de um homem que encontrou valor justamente naquilo que outras pessoas descartavam.

Para quem quiser conhecer mais atrações da região fora do verão, também vale conferir nosso artigo Região dos Lagos no inverno: 10 passeios para aproveitar mesmo fora do verão.

6. Igreja de Sant’Anna — Búzios

Hoje Búzios é conhecida internacionalmente pelas praias, restaurantes e pela Rua das Pedras. Mas muito antes da fama turística, existia ali uma comunidade profundamente ligada à pesca e ao mar.

Parte dessa memória permanece na Igreja de Sant’Anna, na região dos Ossos.

Segundo a Prefeitura de Búzios, a capela foi construída no século XVIII e tornou-se um importante símbolo religioso e cultural da cidade.

A tradição em torno de Sant’Anna continua viva por meio da festa dedicada à padroeira, com celebrações religiosas e manifestações que atravessam gerações.

A própria localização da igreja torna a visita especial.

Do alto é possível observar a região da Praia dos Ossos e parte da costa de Búzios, unindo patrimônio, religiosidade e paisagem em um único lugar.

Combine o passeio com: Praia dos Ossos, Orla Bardot e Rua das Pedras.

7. Igreja de Nossa Senhora de Nazareth — Saquarema

Poucos monumentos da região possuem uma localização tão marcante quanto a Igreja de Nossa Senhora de Nazareth, em Saquarema.

Construída sobre o promontório entre o mar e a lagoa, a igreja tornou-se um dos principais cartões-postais da cidade.

Quem chega ao Centro consegue observá-la no alto, entre a Prainha e a Praia da Vila.

Mas o valor do local vai muito além da fotografia.

A igreja representa uma forte tradição religiosa e integra os roteiros históricos, culturais e religiosos promovidos pelo turismo municipal.

Depois da visita, é possível continuar caminhando pela Prainha, Praça do Canhão, Praia da Vila e orla da Lagoa de Saquarema.

É um bom exemplo de como patrimônio e paisagem natural se complementam na Região dos Lagos.

8. Igreja de São Sebastião e Casa da Cultura — Araruama

Araruama também guarda construções importantes para compreender sua formação.

Entre elas está a Igreja de São Sebastião, cuja história está diretamente ligada ao desenvolvimento religioso e urbano do município.

A matriz original foi construída no século XIX. Depois de um incêndio ocorrido em 1945, o prédio passou por reconstruções e alterações em relação à estrutura original.

Outro imóvel importante é a Casa da Cultura, instalada no antigo Paço Municipal.

A construção remonta ao século XIX e representa uma parte importante da memória administrativa de Araruama.

Mas a história da cidade não está apenas nos prédios.

A Lagoa de Araruama, as antigas salinas e a produção de sal tiveram papel fundamental no desenvolvimento econômico e social do município.

Quem quiser conhecer melhor a cidade pode consultar também nosso Guia completo de Araruama, com atrações, praias, história e informações para visitantes.

9. Parque Hotel — uma parte diferente da história de Araruama

Outro imóvel que desperta curiosidade é o Parque Hotel de Araruama.

O prédio representa uma época bastante diferente da história turística da cidade e já chegou a funcionar como cassino.

Em 2026, o espaço foi temporariamente aberto para visitação durante as comemorações pelo aniversário de Araruama, atraindo centenas de moradores e turistas interessados em conhecer seu interior e sua história.

O prédio possui valor arquitetônico, cultural e afetivo para muitos moradores.

Mesmo quando não está aberto regularmente ao público, conhecer sua trajetória ajuda a entender como Araruama se desenvolveu como destino turístico ao longo das décadas.

Também vale acompanhar nosso Calendário de Eventos em Araruama para conferir programações que eventualmente permitam novas visitas a espaços históricos da cidade.

10. Capela Imaculada Conceição — Iguaba Grande

Em Iguaba Grande, um dos espaços ligados à memória religiosa do município é a Capela Imaculada Conceição, localizada na região da Praia do Popeye.

A construção possui importância histórica e cultural para a comunidade e já foi objeto de estudos técnicos voltados à sua conservação e restauração.

Iguaba Grande é relativamente jovem quando consideramos sua emancipação político-administrativa, mas sua história não começou com a criação do município.

Comunidades, tradições religiosas, atividades econômicas e a própria relação com a Lagoa de Araruama existiam muito antes disso.

Preservar essas referências ajuda a evitar que parte dessa memória desapareça à medida que a cidade cresce e se transforma.

11. Igreja de Nossa Senhora dos Remédios — Arraial do Cabo

Arraial do Cabo também carrega uma história muito anterior ao turismo que hoje movimenta suas praias.

Um dos seus símbolos religiosos é a Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, localizada próxima à Praia dos Anjos.

Nossa Senhora dos Remédios é padroeira do município, e as celebrações em sua homenagem continuam fazendo parte do calendário cultural e religioso da cidade.

A própria região da Praia dos Anjos possui enorme importância histórica.

Segundo registros reunidos pelo Iphan, Américo Vespúcio chegou a essa parte do litoral em 1503, durante as primeiras expedições portuguesas ao território que viria a se tornar o Brasil.

Conhecer esse contexto muda completamente a maneira de observar a Praia dos Anjos.

O lugar deixa de ser apenas o ponto de saída dos famosos passeios de barco e passa a representar também séculos da história de ocupação da costa brasileira.

Patrimônio não é apenas prédio antigo

Quando falamos em patrimônios históricos da Região dos Lagos, é fácil pensar apenas em igrejas, fortes e casarões.

Mas o patrimônio cultural vai muito além das construções.

As festas religiosas, técnicas tradicionais, modos de vida, atividades econômicas, histórias transmitidas entre gerações e manifestações culturais também ajudam a formar a identidade das cidades.

Em Araruama, por exemplo, a tradição dos tapetes de sal de Corpus Christi mantém uma forte ligação com a história da cidade e com a própria importância que a produção de sal teve para a região.

Em Búzios, a Festa de Sant’Anna mantém viva uma relação entre religiosidade, cultura caiçara e identidade local.

Em comunidades pesqueiras espalhadas pela Região dos Lagos, conhecimentos relacionados ao mar e à pesca também atravessam gerações.

Patrimônio está, portanto, tanto naquilo que podemos tocar quanto nas histórias e tradições que uma comunidade escolhe continuar transmitindo.

Por que 17 de agosto é o Dia do Patrimônio Cultural?

O Dia do Patrimônio Cultural é celebrado em 17 de agosto em homenagem ao nascimento de Rodrigo Melo Franco de Andrade.

Ele teve papel fundamental na criação e consolidação do antigo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, instituição que posteriormente deu origem ao atual Iphan.

Durante décadas, Rodrigo Melo Franco de Andrade trabalhou para estabelecer uma política nacional de proteção ao patrimônio cultural brasileiro.

A data não existe apenas para lembrar construções antigas.

Ela procura chamar atenção para a importância de reconhecer, documentar e preservar lugares, manifestações culturais e histórias que ajudam a construir a identidade das comunidades.

Por que conhecer os patrimônios históricos da Região dos Lagos?

Muitos desses lugares estão tão integrados à paisagem das cidades que acabam se tornando quase invisíveis para quem passa por eles todos os dias.

O Forte São Mateus deixa de ser apenas aquele forte ao lado da praia quando conhecemos sua origem.

A pequena igreja sobre o morro em Búzios passa a contar parte da história de uma antiga comunidade ligada ao mar.

A Casa da Flor revela a criatividade de Gabriel Joaquim dos Santos e transforma materiais descartados em patrimônio cultural.

As antigas salinas ajudam a explicar por que a Lagoa de Araruama teve tanta importância econômica para gerações de moradores.

Conhecer os patrimônios históricos da Região dos Lagos transforma a maneira de enxergar cidades que normalmente associamos apenas ao turismo de sol e praia.

Conhecer também é uma forma de preservar

Preservar os patrimônios históricos da Região dos Lagos significa proteger não apenas construções antigas, mas também as histórias e identidades das comunidades que cresceram ao redor delas.

Isso não depende apenas dos órgãos públicos.

Respeitar espaços históricos, não danificar monumentos, valorizar manifestações culturais e ensinar às novas gerações a importância desses lugares também fazem parte da preservação.

Na próxima vez que visitar alguma das cidades da Região dos Lagos, talvez valha deixar algumas horas do roteiro livres para olhar além da praia.

Entre igrejas, fortes, casarões, salinas e construções bastante peculiares, você pode descobrir que uma parte importante da história da região estava bem ali o tempo todo.

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